Em "casa", Lula diz ser mais um soldado na luta para trabalhador voltar a andar de cabeça erguida

19/06/2017

Vanilda Oliveira

Adonis Guerra/Tribuna Metalúrgica/SMABC Em "casa", Lula diz ser mais um soldado na luta para trabalhador voltar a andar de cabeça erguida Lula fala a mais de 8 mil trabalhadores no ato político da posse da nova Diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, domingo

Um Lula emocionado e convocando a luta contra a herança maldita que, em apenas um ano, o governo ilegítimo de Michel Temer já produziu deu o tom da posse da nova Diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, neste domingo (18), em São Bernardo do Campo. Foram eleitos 234 dirigentes, em dois turnos, diretamente no chão de fábrica para os CSE (Comitês Sindicais de Empresa), entre eles o coordenador nacional da Articulação Sindical, Sérgio Nobre, também secretário-geral nacional da CUT, e eleito à mais um mandato na direção do SMABC.

Forjado no berço do novo sindicalismo e do Sindicato que entrou para a história da redemocratização do Brasil, Lula é a expressão maior da categoria que presidiu e que lançou seu nome ao País e ao mundo. Num discurso para mais de 8 mil pessoas, o ex-presidente criticou as mentiras, o golpe que colocou Temer no governo e seus efeitos nefastos para o País e o povo. Emocionou-se ao falar da dor do desemprego (que já sentiu na carne) e sobre a importância dos Metalúrgicos do ABC para a história da luta da classe trabalhadora. O mais importante: destacou que "não se pode fechar os olhos até que os trabalhadores brasileiros “possa voltar a andar de cabeça erguida (leia mais a seguir)"

Petista. Treze. O ex-presidente discursou durante caprichosos 12 minutos e 59 segundos. Disse que falaria pouco porque os trabalhadores e trabalhadoras, apesar da conjuntrua de crise, têm direito de comemorar, a ouvir música, se divertir. Foi o que fez. Um discurso curto e quente, mas todos ali se mostravam dispostos a ouvi-lo por horas. E pediram a sua volta à Presidência da República.  

Rumo à Greve Geral

Sérgio Nobre abriu o ato político representando a CUT Nacional. Ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC,  ele disse que “nenhum país no mundo consegue melhorias condições de vida para o seu povo sem uma indústria forte”. Em seu discurso aos companheiros de categoria, saudou Wagner Santana (o Wagnão),que sucederá Rafael Marques na presidência do SMABC, e destacou o tamanho da responsabilidade que espera a categoria e seus dirigentes já na mobilização à Greve Geral  de 30 de junho contra as reformas da Previdência e Trabalhista, pelo Fora Temer e pelas Diretas Já. Enfim, por nenhum direito a menos.

Rafael Marques, presidente do Sindicato até 19 de julho (data oficial da posse), também fez uma convocação à paralisação. “O dia 30 será a maior Greve Geral que o País já teve em sua história, tenho certeza disso. Eu sou da geração que lutou nos anos 90 contra a desconstrução da indústria nacional, e o Wagnão, que também é da minha geração, vai assumir agora com os mesmos desafios pela frente”.

Já senadora Gleisi Hoffmann, ao elogiar a categoria, destacou que “o Brasil não precisa de reforma trabalhista, de reforma previdenciária. O Brasil precisa de emprego, de crescimento, de consumo. Precisa de um governo que olhe para o povo”. Ao lembrar que o Sindicato foi o berço político de Lula a senadora disse: “Vocês podem se orgulhar de ter dado a maior liderança que esse país já teve: nosso presidente Lula”.

Com duas gerações da  família no palco, Wagner Santana falou da herança bendita que recebeu (e irá pretende repassar) da luta dos Metalúrgicos do ABC e de toda a classse trabalhadora. “Essa categoria não abrirá mão dos direitos garantidos em lei. Que país é esse onde se propõe uma volta quase à escravidão, onde se quer permitir que o trabalhador rural possa ser remunerado não com salário, mas com casa e comida? Minha luta hoje é pelo direito dos outros, dos meus filhos, assim como meu pai lutou pelos meus direitos e meus filhos hão de lutar pelos direitos dos meus netos”, disse Wagner Santana ao preceder Lula.

Ditadura, não. Emprego, sim

Além de Lula, o presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, Gleisi Hoffman, o presidente do PT de SP, Luiz Marinho – ex-presidente da CUT, dos Metalúrgicos do ABC e ex-ministro -, o deputado federal Vicentinho (que também presidiu a CUT nacional), o ex-senador e vereador Eduardo Suplicy, presidentes de confederações, federações e sindicatos de São Paulo e de outros estados participaram da posse.

Em seu discurso que encerrou o ato político, Lula falou da difícil tarefa que espera Wagner Santana num país sob golpe e com mais de 14 milhões de desempregos (em seus governos, ele criou mais de 20 milhões de postos de trabalho com carteira assinada). “Não tem nada mais sagrado na vida de um homem e de uma mulher do que trabalhar, receber seu salário no final do mês e, com esse salário, conseguir comprar coisas para a família, colocar comida na mesa”

E prosseguiu: “A verdade é que eles (o governo ilegítimo de Temer e suas sequelas) têm que saber que nos produzimos a riqueza desse País, e que nós temos que ser respeitados, temos que comer, ter acesso à cultura, ao lazer, acesso a coisas que nós produzimos e criamos. Porque não é luxo a gente querer andar de avião, ter férias e ir para a praia. Não é luxo estudar numa escola de qualidade, não e luxo que filho do trabalhador se forme doutor pra poder melhorar a qualidade de vida de toda a sua família”.

"Este Brasil que você (Wagner) está herdando, disse Lula, é um País de uma ditadura, de um golpe em uma presidenta (Dilma Rousseff)  que, mesmo que tivesse cometendo algum erro, ela tinha sido eleita democraticamente por 54 milhões de homens e mulheres".  “Querem jogar a crise do país em cima dos trabalhadores e dos aposentados. Mas nós temos que dizer a eles: ‘não tem que tirar direito de trabalhador e aposentado. Temos que fazer a economia crescer, gerar emprego, aumentar salários. Aí, a Previdência então vai dar conta”, disse o ex-presidente.

Ovacionado e sob aplausos de trabalhadores que o conhecem de perto há muito tempo e reconhecem nele a maior expressão do trabalhador brasileiro, Lula encerrou seu discurso garantindo que ele é “mais um soldado” na luta para o Brasil sair da tragédia onde o golpe o fez mergulhar.

 

 

Fotos: Adonis Guerra/SMABC

Texto: Vanilda Oliveira