Agência cubana destaca que 'eleição deixa de ser certeza em calendário institucional do Brasil'

16/04/2018
Reprodução site PT Agência cubana destaca que 'eleição deixa de ser certeza em calendário institucional do Brasil'
A eleição programada para outubro próximo deixou de ser uma certeza no calendário institucional do Brasil, ante a impossibilidade que hoje têm os golpistas de continuar seus projetos no terreno da democracia.

O corolário, segundo o integrante do Instituto de Debates, Estudos e Alternativas de Porto Alegre (Idea) Jefferson Miola, surge da análise dos resultados da primeira pesquisa de intenção de voto publicada depois que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou a cumprir condenação de 12 anos e um mês de prisão em Curitiba.


A sondagem, realizada pelo Instituto Datafolha entre os dias 11 e 13 de abril sobre uma amostra de 4.194 mil cidadãos de 227 municípios, revelou que, embora preso, o fundador e líder histórico do Partido dos Trabalhadores (PT) domina com folga, em primeiro e segundo turno, os três cenários em que for contemplada sua candidatura.

'A pesquisa deixa evidente a ilegitimidade de uma eleição sem Lula, bem como também a ilegitimidade do eventual governo resultante de uma eleição fraudulenta', assinalou Miola e explicou que tais resultados indicam 'a rejeição incontestável de todas as candidaturas da direita - da liberal à fascista'.

Na avaliação do analista, ante essa realidade podemos prever um horizonte de aprofundamento do golpe e de repressão política contra o PT e a esquerda, para imposibilitar o surgimento de qualquer cenário que possa escapar ao controle dos golpistas.

Para eles, dimensionou o analista, não basta impedir a eleição de Lula, que daria início à restauração da democracia e à reconstrução econômica e social do Brasil; querem evitar a vitória de qualquer candidato que Lula eventualmente decida indicar para enfrentar o fascismo, sublinhou.

Nesse sentido, o líder da bancada petista no Senado Federal, Lindbergh Farias, assegurou que os resultados da pesquisa do Datafolha 'tiram o sono da direita'.

Lula não só lidera em todos os cenários mesmo sendo preso político; mas que prendê-lo não garante a vitória do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), inclusive blindado pela justiça, observou.

Farias destacou o fato de quase a metade dos eleitores declarar-se disposta a votar por alguém apoiado por Lula: 30 por cento diz que faria isso com segurança e 16 por cento talvez. Enquanto, Alckmin continua com apenas seis por cento das intenções de voto.

Em outra leitura dos resultados da amostragem, divulgados ontem, o cientista político e catedrático universitário Luís Felipe Miguel destacou que sem Lula na disputa eleitoral o grupo dos 'sem candidato' - pessoas inclinadas a não votar por nenhum outro candidato - lidera com ampla vantagem.

Com o presidenciável que lidera as preferências do eleitorado excluído de forma arbitrária, a legitimidade do processo fica comprometida e sua capacidade de gerar um governo com alguma legitimidade é nula, advertiu.

Segundo Miguel, somente um projeto de poder voltado a impor uma ordem de dominação descarnada, sem espaço para qualquer pacto com os dominados, julgaria razoável patrocinar um processo eleitoral desta forma.
 
Com informações da agência cubana Prensa Latina