“Não há um país latino onde o levante feminista argentino não tenha chegado"

18/06/2018
Reprodução “Não há um país latino onde o levante feminista argentino não tenha chegado" Milhares de argentinas acompanharam as mais de 23 horas de votação na Câmara que aprovou a lei do aborto, no início de junho

Não há caminho para transformação social e queda das desigualdades na América Latina a não ser a  aplicação de boas práticas políticas. Com essa premissa, pesquisadores do Instituto Update, uma ONG sem fins lucrativos, foi a campo em busca de experiências políticas inovadoras e emergentes em 11 países da região, incluindo o Brasil.

Na contramão do desalento com relação à política - crescente não só no Brasil -  Beatriz Pedreira, pesquisadora e cofundadora do Instituto Update anima os cidadãos a participarem da política. Propõe um desafio: para cada comentário de desesperança política publicado nas redes sociais, publicar três de esperança.

"Precisamos ocupar as redes", disse ela. Um dia antes da histórica votação na Câmara da Argentina que avançou na legalização do aborto no país vizinho (ainda falta o Senado para que vire lei), a pesquisadora comentou o Ni una a Menos, o movimento feminista argentino que emergiu em 2015 e está na base da mobilização pelo projeto.

Ni una a menos é a prova mais contundente de que estamos passando por uma transformação na sociedade latino-americana", afirmou. Segundo Pedreira, nenhum dos países visitados por ela ficou indiferente ao "levante feminista" argentino, iniciado em 2015 como reação a um caso de feminicídio. "As pessoas falam: 'Ah, é só manifestação. Mas manifestação é o que diz a palavra: manifestar. É o momento de choque, de explosão, mas não quer dizer que as pessoas vao voltar para casa, voltar a ser o que elas eram".