Juiz Sérgio Moro erra feio ao fazer pedidos a Temer e Meirelles

06/12/2017
Juiz Sérgio Moro erra feio ao fazer pedidos a Temer e Meirelles

Kennedy Alencar

Numa democracia, é direito de todos emitir a sua opinião. No entanto, o juiz Sergio Moro abre a guarda para que seja questionada a sua imparcialidade quando faz “pedidos” ao presidente Michel Temer e ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

Em evento ontem (04/12) em São Paulo no qual era um dos homenageados, Moro solicitou a Temer que usasse sua influência para evitar que o Supremo Tribunal Federal mude o entendimento a respeito da prisão de condenados na segunda instância da Justiça. Só faltou dizer: “Fale com Gilmar Mendes e Dias Toffoli a respeito disso”.

Não faz sentido um juiz de primeira instância se comportar como ombudsman do STF. É o Supremo Tribunal Federal que toma decisões que guiam os julgamentos de outros magistrados.

O juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba também pediu ao ministro da Fazenda que fosse mais generoso ao tratar do orçamento da Polícia Federal. Moro ainda criticou o loteamento de cargos na administração pública e recomendou o fim do foro privilegiado, inclusive para ele.

Ora, faltou opinar sobre os supersalários da cúpula dos servidores, o desrespeito ao teto constitucional, a farra do auxílio-moradia para magistrados e integrantes do Ministério Público e o regime de Previdência camarada das altas castas do funcionalismo.

Se quer agir assim, melhor entrar para a política ou virar comentarista em veículo de comunicação. É um erro um magistrado ter esse tipo de atuação. Trata-se de uma ação indevida para quem ocupa a posição de Moro.

Congresso mal na fita – A rejeição recorde do Congresso, mostrada pela pesquisa Datafolha, expõe a crise da classe política. A má imagem reflete fatos revelados pela Lava Jato. Segundo a pesquisa, 60% consideram o Congresso ruim ou péssimo. Apenas 5% o avaliam como ótimo ou bom. E 31% o julgam regular.

A atual taxa negativa é superior à de 1993, quando ocorreu o escândalo dos Anões do Orçamento. Na época, o índice de ruim ou péssimo atingiu 56%. O Congresso tem tido duas marcas: irresponsabilidade fiscal e atuação forte da chamada Bancada BBB (Bala, Boi e Bíblia). É uma instituição ruim, mas não convém subestimar o risco de piorar.

Publicado originalmente no Blog do Kennedy