Papa afirma que fake news destitui governos e leva à ditadura

18/06/2018
Reprodução Portal VaticanNews Ioficial do Vaticano) Papa afirma que fake news destitui governos e leva à ditadura Para o pontífice, regimes ditatoriais começaram com a adulteração da comunicação, colocada em mãos de pessoas sem escrúpulos

O papa Francisco denunciou a utilização de “comunicações caluniosas”, as chamadas fake news (notícias falsas), para destituir instituições e pessoas e advertiu que é dessa maneira que se se instalam as ditadura. “Começa com uma mentira e, depois de ter destruído uma pessoa ou uma situação com essa calúnia, se julga e se condena. Ainda hoje, em muitos países, se usa esse método: destruir a livre comunicação”, disse Francisco. 

A essa “comunicação caluniosa”, o Papa dedicou a homilia desta segunda-feira (18), durante a homilia em uma missa na Casa de Santa Marta, residência oficial do Pontífice no Vaticano. "Foi um alerta", como traduziu para o português o Portal oficial de notícias do Vaticano. Mais um alerta, pois em janeiro deste ano, Francisco já havia feito críticas e considerações sobre os riscos e problemas causados pela fake news (clique aqui para ler mais)

Para exemplificar, o Pontífice narrou a história de Nabot, de quem o rei Acab tirou a coroa por meio de mentiras. Segundo o Papa, esse é o modo como muitas pessoas destituem “tantos chefes de Estado e de governo”. Ele não citou ninguém ou um país específico, mas as referências e exemplos são quase idênticas ao que bem acontecendo no Brasil desde o início do processo que culminou com o golpe que tirou Dilma da Presidência da República, empossou um governo ilegítimo e perseguiu e prendeu Lula, sem crime nem provas.

Para Francisco, a história de Nabot é paradigmática da história de Jesus e de todos os mártires que foram condenados usando um cenário de calúnias. Mas é também paradigmática do modo de proceder de tantas pessoas de “tantos chefes de Estado ou de governo”.

Como as ditaduras adulteram a comunicação

“Também hoje, em muitos países, se usa este método: destruir a livre comunicação”. Por exemplo, pensemos: há uma lei da mídia, da comunicação, se cancela aquela lei; se concede todo o aparato da comunicação a uma empresa, a uma sociedade que faz calúnia, diz falsidades, enfraquece a vida democrática. Depois vêm os juízes a julgar essas instituições enfraquecidas, essas pessoas destruídas, condenam e assim vai avante uma ditadura. As ditaduras, todas, começaram assim, adulterando a comunicação, para colocar a comunicação nas mãos de uma pessoa sem escrúpulo, de um governo sem escrúpulo.

A sedução dos escândalos - “Também na vida cotidiana é assim”, destacou o Papa: se quero destruir uma pessoa, “começo com a comunicação: falar mal, caluniar, dizer escândalos”:E comunicar escândalos é um fato que tem uma enorme sedução, uma grande sedução. Seduz-se com os escândalos. As boas notícias não são sedutoras: “Sim, mas que belo o que fez!” E passa… Mas um escândalo: “Mas você viu! Viu isso! Você viu o que aquele lá fez? Esta situação… Mas não pode, não se pode ir avante assim!” E assim a comunicação cresce, e aquela pessoa, aquela instituição, aquele país acaba na ruína. No final, não se julgam as pessoas. Julgam-se as ruínas das pessoas ou das instituições, porque não se podem defender.

A perseguição dos judeus - “Muitas pessoas, muitos países destruídos por ditaduras malvadas e caluniosas. Pensemos por exemplo nas ditaduras do século passado. Oh… é um horror, mas um horror que acontece hoje: nas pequenas sociedades, nas pessoas e em muitos países. O primeiro passo é se apropriar da comunicação, e depois da destruição, o juízo e a morte”.

Da Redação com informações da Agência do Vanticano e agências de notícias