Técnico da Seleção do Senegal: único negro e menor salário da Copa na Rússia

20/06/2018
Técnico da Seleção do Senegal: único negro e menor salário da Copa na Rússia Hoje técnico do time africano, Aliou Cissé jogou a Copa de 2002 pelo seu País

A vitória de Senegal sobre a Polônia nesta  primeira fase da Copa da Rússia surpreendeu comentaristas de futebol e trouxe à tona a realidade do racismo velado contra treinadores no futebol. Se os jogadores negros já dominam até mesmo as escalações de alguns países europeus, o panorama é bem diferente quando se trata dos técnicos.

Aliou Cissé, que foi estrela da seleção do Senegal em 2002, é o único treinador negro entre as 32 equipes da Copa do Mundo deste ano. Além disso, ele é também o técnico com o menor salário. Segundo dados divulgados pelo canal de TV holandês Zoomin, Cissé recebe cerca de R$ 850 mil ao ano, salário 16 vezes menor do que o de Tite, por exemplo.

Apesar de serem maioria até mesmo em alguns times europeus, como a França, raramente os negros são bem recebidos como técnicos no futebol. Até hoje, por exemplo, apenas um negro dirigiu a seleção brasileira: Gentil Cardoso, em 1959, há quase 60 anos atrás. E mesmo assim, em uma única competição de baixo prestígio: O Campeonato Sul-americano daquele ano foi disputado duas vezes, e Gentil Cardoso dirigiu a seleção pernambucana, representando o Brasil, numa dessas vezes. “Não fui chamado porque sou preto”, teria dito ao ser preterido para as competições seguintes.

Celso Marcondes, ex-diretor do Instituto Lula para a Iniciativa África, comemorou o resultado: "Senegal lava a alma dos povos africanos e consegue a primeira vitória de uma equipe do continente na Copa da Rússia.  Única seleção com um técnico negro, ex-jogador senegalês,  passa a ter grandes chances de classificação.  Por coincidência,  é um dos países africanos que mais "importou"  programas sociais do governo Lula.  E um dos que mais "exportou" negros escravizados para o Brasil, embarcados na ilha de Goree".

O site de futebol Trivela publicou em 2016 uma matéria sobre o racismo ontra treinadores no futebol  e resgatou uma fala de Gentil Cardoso em 1954. Ao ser preterido para dirigir a seleção brasileira na Copa da Suíça, Cardoso teria dito: “O racismo é um fato que a hipocrisia encobre”.

Com informações dos portais Instituto Lula e Brasil de Fato